Câncer de mama
A recuperação após uma cirurgia para câncer de mama não termina com a cicatrização da ferida. Alterações de força, mobilidade, dor e dificuldade para realizar tarefas do dia a dia podem persistir: o próprio estudo destaca que aproximadamente um terço das mulheres apresenta efeitos adversos após a cirurgia, como redução da amplitude de movimento e da força do ombro.
Um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA Surgery em 2024 mostrou que começar um programa individualizado de exercícios já no primeiro dia após a cirurgia pode favorecer uma recuperação funcional muito mais rápida. O ponto central, porém, não é simplesmente “começar cedo”, mas realizar exercícios progressivos e ajustados à condição de cada paciente. Lembre-se de que esta é uma fase de cuidado, não de treino para estética ou melhora do desempenho físico em tarefas do dia a dia.
Devemos nos atentar apenas a uma regra: Acompanhamento profissional com equipe multidisciplinar será sempre a melhor opção. No caso do exercício físico, os profissionais de educação física. Na BORA!, nosso time de profissionais entra em contato com seu médico e discute a conduta ideal. Aqui você tem mais AJUDA, mais ATENDIMENTO e mais ACOLHIMENTO para avançar.

O estudo acompanhou 56 mulheres submetidas à cirurgia para câncer de mama, divididas entre um grupo que realizou exercícios e outro que recebeu os cuidados habituais. O programa começou apenas um dia depois da cirurgia e combinou quatro sessões supervisionadas, de 20 a 30 minutos, com exercícios realizados diariamente em casa durante o primeiro mês.
Os resultados para força do ombro chamam atenção. Após um mês, 67,9% das participantes do grupo de exercícios haviam recuperado pelo menos 95% da força que tinham antes da cirurgia. Entre aquelas que receberam os cuidados habituais, apenas 3,6% alcançaram esse nível de recuperação. Aos seis meses, os percentuais foram de 85,7% contra 17,9%, respectivamente.
Isso reforça uma ideia importante: no período pós-operatório, permanecer fisicamente ativo de maneira adequada pode fazer parte do processo de recuperação. Mas o exercício precisa respeitar a cicatrização, o tipo de cirurgia, a presença de drenos e, principalmente, a capacidade funcional de cada paciente.
A recuperação também apareceu na mobilidade. Aos seis meses, 78,6% das mulheres que participaram do programa haviam recuperado pelo menos 95% da amplitude de movimento do ombro, contra 21,4% no grupo de cuidados habituais. O benefício foi observado nos movimentos avaliados de flexão, abdução e extensão.
Além disso, o grupo que se exercitou apresentou melhores resultados relacionados à incapacidade do ombro, atividade física e qualidade de vida. O gráfico apresentado na página 5 do estudo mostra de forma clara a diferença entre os grupos na recuperação da força e da amplitude de movimento, especialmente após seis meses. A intervenção também esteve associada a menor redução da massa muscular ao longo do acompanhamento.
Para quem passa por uma cirurgia desse tipo, recuperar o movimento significa muito mais do que conseguir levantar o braço: pode representar maior independência para vestir-se, trabalhar, dirigir, realizar tarefas domésticas e retomar gradualmente uma rotina mais ativa.
Um dos aspectos mais interessantes do estudo foi a forma como o treinamento foi aplicado. Não havia uma sequência rígida e igual para todas. O programa possuía quatro estágios progressivos, envolvendo alongamentos e exercícios de resistência com o peso do próprio corpo, e sua intensidade era ajustada de acordo com a força e a mobilidade do ombro, cicatrização, drenagem e tipo de cirurgia.
Também não houve aumento significativo de complicações cirúrgicas, volume de drenagem, seroma ou linfedema no grupo que realizou exercícios.
Esse resultado não significa que qualquer pessoa deva iniciar exercícios por conta própria logo após uma cirurgia. Ele mostra justamente a importância de uma prescrição adequada, progressiva e integrada ao acompanhamento da equipe de saúde. Sempre que possível, a orientação de um profissional de educação física capacitado para atuar com pessoas em tratamento ou recuperação oncológica pode tornar essa prática mais individualizada e segura.
Este estudo reforça que o exercício físico pode ocupar um lugar importante na recuperação após a cirurgia para câncer de mama.
Uma intervenção iniciada precocemente, adaptada à condição individual e combinando orientação profissional com exercícios em casa produziu benefícios expressivos para força, mobilidade, atividade física e qualidade de vida.
A mensagem não é simplesmente “quanto antes, melhor”. É quanto antes for seguro e adequadamente orientado. Incorporar o exercício ao cuidado pós-operatório pode ajudar a transformar a recuperação em um processo mais ativo, funcional e capaz de favorecer o retorno às atividades da vida diária.
Lembre-se, aqui apresentamos os resultados de um estudo, mas cada fase merece atenção individualizada pelo profissional competente. Médicos, fisioterapêutas e profissionais de educação física são essenciais, cada um na sua qualificação e área de atuação. Cada intervenção tem sua hora. Converse com seu médico e conte com os profissionais da BORA!
Autor: Prof. Esp. Fábio Cantizano – CREF: 16603-G/RJ
MIN, Jihee et al. Early implementation of exercise to facilitate recovery after breast cancer surgery: a randomized clinical trial. JAMA Surgery, Chicago, v. 159, n. 8, p. 872-880, 2024. DOI: 10.1001/jamasurg.2024.1633. Disponível em: https://doi.org/10.1001/jamasurg.2024.1633. Acesso em: 5 out. 2026.